quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CULTURA: A dependência de internet no foco dos pesquisadores

Hoje considerada um transtorno mental, a dependência de internet atinge cinco milhões de crianças apenas nos Estados Unidos, segundo cálculos da Associação Médica Americana. A adicção à rede foi relatada pela primeira vez em 1996 pela psicóloga Kimberly S. Young, que detectou o uso problemático da internet em uma dona de casa de 43 anos. Após descobrir as salas de bate-papo, a paciente, até então alheia à tecnologia, passou a ficar 60 horas por semana conectada. A partir deste relato, a Dra. Kimberly conseguiu atrair atenção clínica para a questão. Este ano ela lança novo livro organizado em conjunto com o brasileiro Cristiano Nabuco de Abreu. Dependência de Internet – Manual e Guia de Avaliação e Tratamento (Artmed) já é apontado como obra-referência sobre o tema. “Ao longo da última década, o conceito de dependência de internet passou a ser aceito como um transtorno clínico legítimo, que frequentemente requer tratamento”, observa Kimberly. “Hospitais e clínicas oferecem serviços ambulatoriais de tratamento para a dependência de internet, centros de reabilitação aceitam novos casos de dependentes de internet, e campi universitários iniciaram grupos de apoio para ajudar os alunos dependentes”, afirmam Kimberly e Abreu. Dependência de Internet se concentra nas pesquisas atuais nesse campo e se destina a compreender o diagnóstico, os fatores de risco psicossociais, manejo de sintomas e tratamentos desse novo transtorno. O livro inclui compulsões virtuais e relacionadas ao computador, o que o torna relevante para um público amplo. A preocupação dos pesquisadores que se debruçam sobre essa realidade reside no potencial de dependência dos aparelhos móveis que levamos nas mãos e seus efeitos sobre a tomada de decisão. “O que se teme é que as pessoas percam seu julgamento espacial enquanto os usam. A realidade é que levamos conosco a tecnologia portátil para todos os lugares e, como em qualquer outra dependência, quanto mais tempo gastamos usando essa tecnologia, menos tempo passamos com amigos ou com a família”, finalizam Kimberly e Abreu.

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