segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CULTURA: Farsa da Boa Preguiça, da obra de Ariano Suassuna, estreia em Porto Alegre

A comédia musical Farsa da Boa Preguiça, de Ariano Suassuna, conta com a direção de João das Neves, um dos fundadores do “Grupo Opinião” e que esse ano completa 50 anos de carreira. No elenco de protagonistas, Guilherme Piva, Bianca Byington e Jackyson Costa. Juntam-se a eles os atores Daniela Fontan, Leandro Castilho, Vilma Melo, Fábio Pardal e Francisco Salgado. O espetáculo cumpre curta temporada no Theatro São Pedro, de 2 a 4 de setembro. Indicada para todas as idades, inclusive jovens e adolescentes, narra a história de Joaquim Simão (Guilherme Piva), poeta de cordel, pobre e "preguiçoso", que só pensa em dormir. Joaquim é casado com Nevinha (Daniela Fontan), mulher religiosa e dedicada ao marido e aos filhos. O casal mais rico da cidade, Aderaldo Catacão (Jackyson Costa) e Clarabela (Bianca Byington), possui um relacionamento aberto. Aderaldo é apaixonado por Nevinha e Clarabela quer conquistar Joaquim Simão. Três demônios fazem de tudo para que o pobre casal se renda a tentação e caia no pecado, enquanto dois santos tentam intervir. Jesus observa e avalia tudo. A partir daí, situações inusitadas e muito divertidas fazem deste texto uma das peças mais divertidas do teatro brasileiro. No Teatro antigo, havia uma convenção, segundo a qual, no fim da história, o autor podia dar sua opinião sobre o que acontecera no palco. Era a chamada “licença”, ou “moralidade”. Pois bem. Na “licença” da “Farsa”, numa das estrofes finais do terceiro ato, diz um dos personagens: Durante os ensaios, por sugestão do diretor, os atores fizeram oficinas de mamulengos - tipo de fantoche típico do Nordeste, especialmente em Pernambuco - com o artista plástico Gil Conti. O grupo se saiu tão bem, que o diretor resolveu utilizá-los em cena. Os mamulengos representam cada personagem e trazem as características físicas de cada ator. Durante o espetáculo os personagens são representados também pelos bonecos. Com um texto rimado, característica muito presente nas obras de Ariano, Alexandre Elias, diretor musical da montagem, musicou vários momentos do espetáculo. Entre eles a música de abertura, composta pelo próprio João das Neves. Segundo Alexandre, são 15 músicas no total. “A sonoridade que estou construindo para o espetáculo é aque encontramos no universo do Ariano, uma mistura de musica nordestina de raiz, música folclórica, e, como não poderia deixar de faltar, música armorial. Essa música armorial é uma mistura da música nordestina de raiz com música medieval e clássica”, explica Elias. Outro destaque da montagem, o cenário de Ney Madeira, conta com detalhes de algumas iluminugravuras do Ariano Suassuna e xilogravuras de Jota Borges, este, considerado pelo autor o maior artista popular de todos os tempos. Completando a ficha técnica, Rodrigo Cohen criou figurinos super coloridos, inspirados nos festa populares da região.

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