Obra reúne depoimentos, imagens e documentos sobre os territórios negros da capital gaúcha no início do século 20. A fotógrafa Irene Santos lançará seu novo livro, Colonos & Quilombolas Memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre, no dia 19 de outubro, às 19h, no Museu Joaquim Felizardo. A obra é fruto de um cuidadoso trabalho de pesquisa realizado durante três anos, que envolveu o levantamento de material iconográfico, documentos históricos e publicações acadêmicas, além da coleta de entrevistas e depoimentos de pessoas de reconhecido saber que puderam falar sobre os costumes e a territorialidade dos negros em Porto Alegre na primeira metade do século 20. O livro foi elaborado por Irene Santos em parceria com a artista plástica e arte-educadora Zoravia Bettiol, que assina o projeto gráfico, a professora Dorvalina Elvira Fialho, responsável pela pesquisa histórica e revisão, e também com a histo
riadora e escritora Cidinha da Silva e a jornalista Vera Daisy Barcelos, que respondem pelos textos contidos na obra. O objetivo de Irene Santos ao organizar a publicação é oferecer um novo olhar sobre a vida dos negros no espaço urbano no início do século passado, no período posterior à abolição do trabalho escravo, contribuindo para remover o estigma dos territórios quilombolas da capital como locais de intensa pobreza, crimes e prostituição. O trabalho levanta a falta de reconhecimento destes espaços por parte da Prefeitura, bem como as menções preconceituosas da imprensa da época, que contribuíram para estabelecer uma situação de preconceito e uma visão estereotipada sobre estes locais e sua população. No entanto, a fotógrafa e pesquisadora privilegia um olhar afirmativo sobre os territórios quilombolas, apresentando os negros como uma comunidade alegre, trabalhadora, atuante, organizada, solidária, participativa e com grande contribuição no cenário educacional, histórico, social, esportivo, cultural e musical de Porto Alegre. O livro tem prefácio de Emanuel Santos, artista plástico, professor, fundador do Museu Afro-Brasil e ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo. Ele destaca o valor do trabalho pelo seu ineditismo e pelo rico levantamento fotográfico, que contribuem para desmistificar a visão comum do Rio Grande do Sul como um Estado habitado fundamentalmente por alemães, judeus, italianos e portugueses. Para Emanuel, o livro trará novos conteúdos sobre a vida da população negra do Rio Grande do Sul com outra percepção de comunidade sem os estardalhaços folclóricos, que muitas vezes camuflaram a vida negra de norte a sul do Brasil.Ficha Técnica do Livro
Projeto e coordenação editorial: Irene Santos
Projeto gráfico: Zoravia Bettiol
Textos: Cidinha da Silva e Vera Daisy Barcellos
Pesquisa histórica e revisão: Dorvalina Elvira Pinto Fialho
128 páginas
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